LINHA DO TEMPO
16/05/2011

Depois do sucesso do Dourado e do Suzana voluntários se deparam novamente com a crítica realidade do rio Tigre

Depois de concluídos os trabalhos de limpeza dos Rios Dourado e Suzana, voluntários da  ELOVERDE se depararam nos dois últimos finais de semana, com a triste realidade do rio Tigre que apresenta um cenário de guerra em quase toda a sua extensão.

A retomada dos trabalhos no Tigre, que aconteceram nos dias 07 e 14 deste mês, assusta pela grande quantidade de roupas que estão penduradas ou entrelaçadas em troncos e galhos de árvores. Se pudessem ser retiradas em condições de uso, certamente poderia aliviar o frio de milhares de pessoas no inverno . Sem contar com pedaços de carpete, toalhas de mesa, lonas, desmanches de peças de carros ou motocicletas, restos de aparelhos de rádio e televisão e uma infinidade de lixo urbano que demonstra claramente que a onda exagerada de consumo só tem um fim, nos lixões ou, como tem se constatado, na beira dos rios.

 Neste último sábado, alegrados pelo gaiteiro oficial da  ELOVERDE, seu Roque, voluntários fizeram a retirada de quase cinco toneladas de lixo no trecho que costeia a propriedade de seu Domingues Bianchi. Uma realidade escondida no meio da vasta vegetação e margens do rio. Não vista por quem passa pela ponte que vai em direção ao município de Áurea, mas lamentada pelos agricultores próximos que tem que dividir a sua lavoura entre os grãos que plantam e o lixo que vem da zona urbana e dos que, à noite, em cima da ponte, largam imensas quantidades de roupas, sacos, colchões e o que puderem se livrar.

Seu Domingos, agricultor que convive com o rio há 64 anos, lamenta que a situação do Tigre esteja assim, pois perde muito com a ação das águas que sobem em épocas que enxurradas fortes, mas perde muito mais com a competição acirrada entre o lixo que vem junto com a água e os grãos que se perdem nesta batalha. Da última vez em que o rio subiu houve uma perda de 30 sacos de soja. Em sua extensa lavoura podem ser vistas embalagens, pedaços de lonas, embalagens de salgadinhos, brinquedos, carcaças de rádios e outros tantos lixos que contrastam com o verde.

 Mas, lembra ele, esta realidade somente começou a tomar forma e perigo a partir da construção de loteamentos próximos ao rio. Com o crescimento urbano veio junto um dos piores dilemas da sociedade moderna, o que fazer com a grande quantidade de lixo produzido dentro das casas. Lamentavelmente, o caminho mais fácil encontrado por muitos foi o rio.

Mas, como nem tudo é tristeza, seu Roque, como é mais conhecido o gaiteiro da  ELOVERDE que já ganhou notoriedade e respeito pelo que está fazendo, compôs mais uma música para animar o trabalho dos voluntários. Nela, lamenta que chorou quando se deparou com a realidade do rio. “Minhas lágrimas caíram no rio, mas não foi em vão o meu choro quando o vi tão poluído. Nossos rios estão pedindo socorro. Árvores cheias de roupas penduradas, dentro do rio um porco morto e um cachorro. Se eu moro à beira do rio tenho que compreender, se eu jogar o lixo no rio, um dia ele vai me devolver. Volta na minha torneira para minha família beber”.

A  ELOVERDE deverá realizar mais algumas etapas no rio Tigre, mas de acordo com a equipe gestora, se chegará a um ponto em que os trabalhos da retirada do lixo, em toneladas, somente poderá ser feita com o uso de maquinários específicos, trabalho este que é de competência do município de Erechim.

 “Existem trechos em que foi humanamente possível mudarmos a situação mas, infelizmente, há outros em que a força humana não pode contra a quantidade de lixo e profundeza das águas do rio Tigre. Medida esta que deve ser tomada, com pulso firme da administração municipal para que possamos transformar nossos rios em cartões postais, e não na realidade que temos vivenciado desde que iniciamos os trabalhos dentro do Projeto de Revitalização dos Rios de Erechim”, argumenta.

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