LINHA DO TEMPO
14/03/2011

Rio Tigre- A mudança de um rio que já propiciou a cultura da pesca e do arroz

A ELOVERDE, dentro de sua etapas de limpeza dos Rios Tigre, que faz parte do Projeto de Revitalização dos Rios de Erechim, tem presenciado fatos inusitados, mostrado a atual realidade do rio Tigre e, buscado um pouco de conhecimento sobre a história de nosso município, a lembrança de um tempo em que, através de suas águas, Erechim era produtor de arroz e a pesca em família tinha como peixes em grande escala, e exemplo de espécies como o cascudo e o jundiá.

  A constatação, levantada no último sábado, 12, junto ao Povoado Capra, Comunidade do Rio Tigre, oportunidade em que foram retiradas mais 3,5 toneladas de lixo dos mais diferentes tipos, choca não somente pela história de vida do próprio Rio Tigre, mas pelo que ele representou para muitas famílias e para a economia daquela comunidade.

 Em menos de 40 anos, do arroz que era cultivado em grande escala na beira do rio, sobrou o lixo acumulado através dos anos e, dos peixes e da pesca em família, sobraram os pets, cobertores, tapetes, geladeiras, brinquedos e tantos outros produtos que já não tem mais serventia no meio urbano e rural. Nas árvores e suas raízes, o lixo vira arte, e a arte do lixo acaba destruindo a natureza e a sua volta.

 Um pouco desta história foi contada pelo morador ribeirinho, Leonir Leis Poletto, 47, que além de pegar pesado na limpeza do rio com a equipe da Eloverde e voluntários, descreveu um pouco a outrora época dos arrozais, dos sonhos e da pesca em fartura feita em família nos finais de semana.

 Com tristeza lembra de um tempo que não volta mais, Leonir lembra a década de 70, quando o banho era uma festa e havia peixes em toda a extensão do rio, em especial junto ao Bairro São Cristóvão.

“Conseguimos tomar banho no Tigre até os meus 12 anos de idade, momento em que a poluição começou a chegar, acabando, inicialmente, com o plantio do arroz. No princípio havia muita espuma de detergente, depois vieram os restos dos frigoríficos, acompanhados com muito sangue. Depois começaram a chegar os pets e, mais tarde, as roupas e outros tantos tipos de lixo que iam se acumulando na beira do rio”, lamenta.

 Seu Leonir garante que a convivência com o rio era harmoniosa. Hoje, lamenta que do rio Tigre não se aproveita mais nada. “Tenho um extremo cuidado para que o meu gado não tome a água poluída, pois pode vir a adoecer. Tenho muita preocupação com a poluição que aumenta a cada dia, já que esta situação acaba gerando uma desvalorização de nossas propriedades, pois de que adianta estarmos próximos da água se não podemos usá-la”.

 Com relação ao trabalho executado pela ELOVERDE, destaca que os moradores ribeirinhos deveriam se unir neste processo de revitalização e auxiliar na limpeza do rio. “Quanto mais voluntários, maior será o resultado. Se cada um tirar um pouco, em pouco tempo voltaremos a ter um rio mais limpo”, conclui.

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