LINHA DO TEMPO
28/02/2011

Ao lixo se joga tudo

O ser humano, desde a sua origem, tem no descarte diário, daquilo que já não lhe serve mais, um hábito incorporado no seu dia-a-dia. No início se jogavam carcaças de animais que alimentavam tribos, couros e utensílios que foram sendo descobertos e que, através da própria natureza, se decompunham por terem origem orgânica ou animal.

Com o passar dos anos, e a descoberta de outros utensílios, a exemplo do vidro, ferro, cobre, alumínio, plástico e outras tantas bugigangas criadas pelo ser humano, o volume e qualidade do lixo gerado aumentou assim como o crescimento populacional. O descarte sem critério e respeito a outras formas de vida, provoca mudanças significativas na composição dos ambientes chegando até mesmo a facilitar a extinção de espécies, mais frágeis a ação de produtos químicos dispostos indevidamente e em excesso, a falta de oxigênio das águas e solos.

Os rios, infelizmente, são os que mais sofrem dentro deste processo. Se na Idade Média se colocavam corpos para apodrecerem nas águas a fim de contaminar nascentes que iriam abastecer outras civilizações, hoje se coloca de tudo, de eletrodomésticos a peças de automóveis. De cobertores, carpetes, toalhas e roupas do dia-a-dia, a pneus e produtos oriundos de furto ou que, pelo tempo não são mais necessários para o uso. Assim, joga-se de tudo no rio.

Neste processo, a  ELOVERDE , desde que iniciou os trabalhos no Projeto de Revitalização dos Rios de Erechim, já se deparou nas 08 etapas desenvolvidas no Rio Tigre, com esta parte triste da história. Até o momento, já foram recolhidas quase vinte toneladas de lixo jogado as margens do rio com o trabalho voluntário de homens e mulheres que, através desta ação estão escrevendo sua história na conservação do meio ambiente.

Pode-se imaginar através dos materiais encontrados individualidades e peculiaridades a cada lixo recolhido traçando possível caminho de onde veio, de quem e porque teria chegado até os leitos dos rios. Mas, se tudo vira lixo, porque joga-se até mesmo a fé, ou pelo menos os símbolos que guiam as multidões em torno dela.

Neste sábado, 25, dentro da etapa 08 do projeto, no Povoado Capra, Comunidade do Rio Tigre, o voluntário da  ELOVERDE, André Augusto Valentini, 38, bancário por profissão, achou em meio ao lixo retirado das margens do Tigre, uma espécie de santuário, num pequeno intervalo de tempo, uma imagem da Nossa Senhora Aparecida e dois rosários, o que para toda a equipe que esteve no local, constata-se que para o lixo se joga tudo, até mesmo a fé. Uma espécie de descarte que, ao mesmo tempo em que choca, busca a reflexão sobre até onde o ser humano espera chegar.

Para André, o seu achado, como as quase vinte toneladas de lixo já retiradas do Tigre, demonstram que, com o decorrer do tempo os valores familiares, sobre o habitat, a preservação do meio ambiente e a própria crença, caem no descaso. “Levarei a imagem para casa e a colocarei em local de destaque para minhas orações, não somente pela sua simbologia, mas pelo que o achado representou para mim”, garante.

“Os achados, pelo fato em si, somam-se aos demais encontrados até o momento, mas a simbologia que representam por serem símbolos de fé e de esperança para milhões de pessoas, é que choca pelo fim que tiveram, ou seja o lixo. Um descarte a ser pensado em termos de valores pessoais, morais e de estrutura da família e sociedade”, finaliza.

O Projeto de Revitalização dos Rios de Erechim, uma parceria Ministério Público - Vara das Execuções Criminais-  ELOVERDE e várias outras entidades, tem como objetivo o mapeamento de cenários com diagnóstico ambiental dos Rios Tigre, Suzana e Dourado, a educação ambiental da comunidade do entorno dos rios através de processo educativo preventivo e a limpeza física dos rios.

 

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